A EFETIVIDADE DO USO DE MÁSCARAS PARA REDUZIR A PROPAGAÇÃO DA COVID-19

Várias medidas de mitigação foram implementadas para combater a pandemia da COVID-19. Tais medidas incluem o distanciamento social amplamente adotado e a cobertura facial obrigatória.  A inalação de vírus transmitidos pelo ar leva à deposição direta e contínua no trato respiratório humano. Assim, a transmissão aérea é altamente virulenta e representa a via dominante para espalhar a doença. O uso de máscaras tem sido recomendado, mas o quanto tal procedimento é efetivo?

Para obter informações sobre o mecanismo das rotas de transmissão do vírus e avaliar a eficácia das medidas de mitigação, um estudo analisou a tendência da pandemia em três regiões, consideradas epicêntricas.  O surto da COVID-19 surgiu em dezembro de 2019 em Wuhan, na China. O número de infecções e fatalidades confirmadas na China dominou a tendência global durante janeiro e fevereiro de 2020, mas os aumentos nos casos e fatalidades recém-confirmados na China exibiram declínios acentuados desde fevereiro (ver Figura) Em contraste com o achatamento da curva na China, esses números aumentaram acentuadamente em outros países desde o início de março. O epicentro passou de Wuhan para a Itália no início de março e para a cidade de Nova York no início de abril.

O achatamento da curva na China pode ser atribuído a testes extensivos, quarentena e rastreamento de contatos. Outras medidas agressivas implementadas na China incluem o fechamento de todas as cidades e áreas rurais de todo o país, o isolamento de residentes que mantêm contato próximo com pessoas infectadas e o uso obrigatório de máscaras em público. No entanto, a eficácia dessas medidas de mitigação ainda precisa ser avaliada rigorosamente. A diferenciação dos efeitos dessas medidas de mitigação na China é desafiadora, uma vez que a implementação ocorreu quase simultaneamente em janeiro de 2020. 

Comparadas à implementação simultânea de medidas na China, as medidas de intervenção foram implementadas sucessivamente no mundo ocidental, oferecendo uma oportunidade para avaliar sua relativa eficácia. Os efeitos da cobertura facial foram quantificados projetando o número de infecções com base nos dados antes da implementação do uso de máscaras faciais na Itália em 6 de abril e em Nova York em 17 de abril (ver Figura). A análise indica que a cobertura facial reduziu o número de infecções em mais de 78.000 na Itália de 6 de abril a 9 de maio e em mais de 66.000 em Nova York de 17 de abril a 9 de maio. As tendências das curvas de infecção na Itália e em Nova York contrastam com as do resto do mundo e com a dos Estados Unidos como um todo, que mostram pouco desvio da linearidade devido à não implementação de medidas de cobertura facial.

O estudo conclui que o uso de máscaras em público corresponde a um dos meios mais eficazes para impedir a transmissão inter-humana, e essa prática barata, em conjunto com distanciamento social simultâneo, quarentena e rastreamento de contatos, representa a oportunidade de luta mais efetiva para interromper a pandemia da COVID-19. 

REFERÊNCIA

Renyi Zhang , Yixin Li , Annie L. Zhang , Yuan Wang , Mario J. Molina. PNAS, 202009637; DOI: 10.1073 / pnas.2009637117

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